206, o carro que quero esquecer

206

Relacionamentos são coisas realmente muito engraçadas. Digo isso porque quando se conhece uma pessoa, nunca olhamos o lado ruim dela. Sempre ficamos maravilhados pelo lado bom de suas atitudes, somos tentados a relevar apenas as boas intenções e ações deixando de lado alguma coisa que nos pareça errado ou que até tente nosso ciúme. Porém, depois de um tempo de namoro (ou casamento, na pior das hipóteses) o conto de fadas acaba. Começamos a conhecer o par mais a fundo e a conviver em uma freqüência em que a pessoa em questão demonstre quem ela realmente é, o que geralmente é bem diferente daquela gracinha que levávamos ao cinema ou restaurantes chiques gastando todo nosso dinheiro economizado do mês.

Com o Peugeot 206 foi mais ou menos assim. O conheci no final de 2004 em uma concessionária GM (sim, era semi-novo ano/modelo 02/03). Ao entrar nele fiquei cegamente maravilhado com o nível de equipamentos, que trazia até couro nos bancos e bolsas infláveis para motorista e carona. É difícil um compacto vir equipado dessa maneira. Mais difícil ainda, em Minas Gerais, é um achar um carro semi-novo pequeno com motor maior, pois “quem tem não vende”. Este era 1.6 16v com 110cv. Um avião que está até no 307 sedan em versão bicombustível. Logo no teste drive deu para perceber o quanto o giro desse motor subia sem que fosse fraco em baixa rotação. Para mim foi perfeito. Negócio fechado. Um novo carro para família com características únicas. Até vazamento de óleo e barulhos na suspensão ele tinha. Mas e daí?! Ele era tão lindo, estável e mostrava no painel a porta que estava aberta. Um amor.

Com o tempo a estabilidade que sempre elogiávamos em rodovia se tornou um transtorno em vias esburacadas e os barulhos na suspensão se tornaram uma quase quebra do coxim do motor. Mas isso se conserta com o tempo, da mesma maneira que se acha que se pode mudar uma pessoa. Mas ao tentar suprimir uma das características que uma pessoa sempre teve antes de nos conhecer, outra coisa aflora. Então vieram problemas na a suspensão traseira, depois nos freios, depois no cárter, depois no escapamento. E, por fim, após uma viagem de 700km elogiando a firmeza e estabilidade da suspensão e a precisão do câmbio, justo este último morreu de mal súbito.

É, eu sei que fui avisado. A revista Quatro-Rodas trouxe vários casos de problemas no silencioso, no sensor de rotação e de amortecedores que iam embora antes da hora. Tudo isso em carros novos. Imagine então a situação do de minha família que era semi-novo.

O câmbio foi a gota d’água. Vendemos o Peugeot e tudo de lindo que ele tinha: suas rodas de liga-leve, seu aerofólio e seu painel muito bem iluminado e claro. Mas vendemos muito mais: sua posição de dirigir impossível de ser regulada para qualquer pessoa, o preço de suas peças que faz qualquer hatchback médio parecer um carro popular e suas colunas dianteiras que atrapalham a visão quase tanto quando em um VW Fox. Por mais que algumas pessoas digam que seus 206 nunca deram problemas, o de minha família deu, e como deu. Isso é um fato que não deve ser ignorado e ponto. Pode ser que ele agüente as rodovias e ruas de seu continente de origem, mas aqui na América Latina é impossível e inviável.

Agora só me resta fazer força para esquecê-lo de vez, assim como quando um relacionamento acaba. Pois as coisas boas nos fazem ter saudade e as ruins raiva, muita raiva.
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Autor: Rodrigo Costa

Do ponto A ao ponto B, pensando na vida, no volante e tudo mais.

6 comentários:

  1. minha relacao com o celta é mais ou menos a mesma. a unica diferenca é que nunca tive a parte boa no inicio da "relacao"...

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  2. Como propritária do carro sitado, digo que ele é "bonitinho mas ordinário". Só acho que dei azar. Ainda quero ouvir outros proprietários de 206 que compraram o carro zero, para ver se dá tanto problema. Pois ainda quero ter um 206. ELE É LINDO!

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  3. Putz!!!! Anonimo!!! q vacilo!!

    se vc tivesse chegado aq um pouco antes... teria um lindo exemplar(do rodrigo costa), para comprar!!!!

    mais sorte(ou nao), da proxima vez...

    quam avisa... redator eh!! rsrs

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  4. Sou proprietário de um 206 há 8 anos. Sou jornalista e adquiri o carro justamente pra desmistificar a imagem do modelo francês. hoje posso dizer que , não só conheço o carro como o pensamento da Peugeot para o Brasil. Sem dúvida, um modelo bonito e arrojado pra época, 1998, desenhado por Pinifarina, designer da Ferrari, mas o encanto acaba ai. Como todo carro europeu, ele tem exigências de qualidade superior à nossa, como 12 anos de garantia contra corrosão, além de barras laterais e no teto para segurança, mas tem pontos muito fracos, como a suspensão traseira, horrível e frágil e o chicote elétrico de péssima qualidade. O motor é o ponto forte: econômico, resistente e esperto, mas sua manutenção não e barata. mesmo assim, é o que salva o carro. Neste 8 anos, conclui que o pior deste carro é o preço da manutenção, simplesmente FORA DA REALIDADE, UM ABSURDO IMPENSÁVEL PARA O VALOR DE MERCADO. Mas o problema maior é o pensamento da fábrica Peugeot, eles não tem e nem querem ter consciência do preço justo pelos seus produtos, cobram caro e ponto final! Deixam claro que não fazem carros pra pobre. Uma prova disso é a ausência da Peugeot nos feirões de carros realizados pelas montadoras aki no Brasil. Seguem o perfil da Honda e Hyanday, visando apenas seguimentos ricos do consumidor brasileiro. essa politica , ao meu ver, equivocada, arrogante e preconceituosa, deveria ser repensada quando estas marcas decidiram vir pra nosso país. Isso poderia evitar, por exemplo, vexames como o lançamento daquela 'aberração' que eles chamam de 207, (nada mais que o 206 disfarçado)insultando a inteligência do brasileiro, enquanto outras montadoras trazem o que há de melhor no mundo para o Brasil. Elas entenderam algo que estes franceses ate agora não conseguiram, que o Brasil é um grande mercado a ser explorado e o consumidor daqui não é burro, como os franceses da Peugeot devem achar. Quem sabe depois de ver suas vendas aki, reduzidas a nada, eles repensem sua politica de mercado para nós!

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  5. Sou proprietário de um 206 há 8 anos. Sou jornalista e adquiri o carro justamente pra desmistificar a imagem do modelo francês. hoje posso dizer que , não só conheço o carro como o pensamento da Peugeot para o Brasil. Sem dúvida, um modelo bonito e arrojado pra época, 1998, desenhado por Pinifarina, designer da Ferrari, mas o encanto acaba ai. Como todo carro europeu, ele tem exigências de qualidade superior à nossa, como 12 anos de garantia contra corrosão, além de barras laterais e no teto para segurança, mas tem pontos muito fracos, como a suspensão traseira, horrível e frágil e o chicote elétrico de péssima qualidade. O motor é o ponto forte: econômico, resistente e esperto, mas sua manutenção não e barata. mesmo assim, é o que salva o carro. Neste 8 anos, conclui que o pior deste carro é o preço da manutenção, simplesmente FORA DA REALIDADE, UM ABSURDO IMPENSÁVEL PARA O VALOR DE MERCADO. Mas o problema maior é o pensamento da fábrica Peugeot, eles não tem e nem querem ter consciência do preço justo pelos seus produtos, cobram caro e ponto final! Deixam claro que não fazem carros pra pobre. Uma prova disso é a ausência da Peugeot nos feirões de carros realizados pelas montadoras aki no Brasil. Seguem o perfil da Honda e Hyanday, visando apenas seguimentos ricos do consumidor brasileiro. essa politica , ao meu ver, equivocada, arrogante e preconceituosa, deveria ser repensada quando estas marcas decidiram vir pra nosso país. Isso poderia evitar, por exemplo, vexames como o lançamento daquela 'aberração' que eles chamam de 207, (nada mais que o 206 disfarçado)insultando a inteligência do brasileiro, enquanto outras montadoras trazem o que há de melhor no mundo para o Brasil. Elas entenderam algo que estes franceses ate agora não conseguiram, que o Brasil é um grande mercado a ser explorado e o consumidor daqui não é burro, como os franceses da Peugeot devem achar. Quem sabe depois de ver suas vendas aki, reduzidas a nada, eles repensem sua politica de mercado para nós!

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