Test Drive: o Palio 1.6 16v na estrada

Lateral Palio
Casa da sogra? Carro da sogra.
O primeiro post deste blog foi sobre o Palio 1,4 litro 8v da minha sogra. Este Palio já é história há algum tempo; foi trocado em 2.012 por um da geração atual com motorização 1,6 litro 16v. Eu não o havia dirigido ainda na estrada em trechos mais variados, apenas na cidade e em vias como a Rodovia dos Bandeirantes, que por ser predominantemente formada por longas retas, não pude avaliar o carro em todas as situações. Apesar dos 4 anos nas mãos da mãe da minha digníssima esposa, sua quilometragem é de menos de 30 mil km. Sendo assim, nós o utilizamos para uma viagem até a casa dos meus pais para "esticar as penas" desse motor E.torQ.
Frente Palio
Design agradável.
Na ida, em uma sexta à noite, minha esposa foi dirigindo, com recomendação de seu tio, mantendo a 4ª marcha em cruzeiro até a saída para o Aeroporto de Guarulhos na Rodovia Ayrton Senna. Isso já ajudou na "amaciada" que este motor pouco rodado precisava. Na subida da serra, uma surpresa. Neta de mecânico e sobrinha de engenheiro mecânico, minha esposa subiu como se dirigisse lá toda semana (geralmente eu vou dirigindo para a casa dos meus pais), tangenciando as curvas e acertando as marchas necessárias com maestria. Aqui cabe um parêntese: minha esposa aprendeu a dirigir em Palios e seu curtíssimo câmbio. Nos nossos Fords, de escalonamento mais longo, sempre achei estranho o quanto ela trocava de marcha cedo demais. Vendo ela dirigir na serra, tudo se encaixou. O que me deixou com a pulga atrás da orelha foi como este Palio de 2ª geração faz curvas.
Traseira palio
Olhando de traseira, fica óbvia a grande altura em relação ao solo.
Do sábado até a volta para São Paulo no domingo, assumi o volante. Vou fazer um resumo sobre cada aspecto do carro, principalmente em comparação com o antigo Palio. 

1) SUSPENSÃO
A FIAT aprendeu a acertar suspensão! Na minha vez ao volante, me surpreendi como este Palio está mais firme que o anterior. Sua capacidade de fazer curvas acompanha o excelente motor. Ainda rola um pouco mais do que um motorista de Ford ou VW acharia ideal; porém, o carro vai agarradinho e só vai perder a frente se você for abusado. Para a maioria dos motoristas está ótimo. E o melhor, continua com conforto e silêncio de atuação que deveria ser copiado por todos os fabricantes. A altura em relação ao solo "à brasileira" permite ao Palio ignorar valetas, buracos e até lombadas. 

2) DIREÇÃO
O sistema de assistência é hidráulico, não elétrico como é o comum hoje. Por esta razão, achei um pouco duro. Porém, me parece, e já alertei minha sogra, que há algum problema com o sistema, uma vez que tanto eu como minha esposa percebemos uma pequena folga e uma atuação do sistema em baixas velocidades que deveria ser mais perceptível. Um ponto a elogiar é a relação que, mesmo não sendo tão direta como eu pessoalmente gosto, está em uma deliciosa média.
Painel Palio
Direção hidráulica: bem menos leve que as elétricas. Minha perna direita esbarra bastante no console central.
3) FREIOS:
Quem dirigiu um carro pesado como o Focus Mk 1,5 2.0 16v Duratec por 5 anos vai achar qualquer freio com excesso de assistência. Explico, o Focus (na versão GLX manual) apesar dos 1.232kg, não possuía ABS, nem disco na traseira, o que fazia com que fosse necessário concentração e planejamento em uma frenagem, não pisando muito forte para não travar as rodas, nem muito fraco para o carro não correr o risco de não parar a tempo. Desde o outro Palio, eu achava os freios meio "on e off", ou seja, bastou pisar para frear de uma vez. Neste, esta característica se manteve, o que requer um pouco de adaptação, ainda mais que este exemplar é da era pré-obrigação do ABS. 
Porta-malas Palio
Bons 280 litros. Porém formato "verticalizado" dificulta um pouco acomodação de alguns tipos de mala.
4) ACABAMENTO:
Criativo. Hein? Achou estranha a palavra? Bom, veja se não tenho razão. A qualidade dos plásticos está na média do segmento. Até aí nenhuma surpresa. Criativo é o trabalho que a FIAT teve em combinar plásticos de texturas e padrões diferentes em um mesmo espaço. É o tal do "simples bem feito". Críticas negativas ficam por conta do isolamento acústico deficiente. A impressão é que entre o teto de metal e o acabamento de tecido interno não há nada, com gotas maiores de chuva fazendo um grande barulho. Som do motor invade bem a cabine também. Na minha opinião um pouco além do desejável, mesmo para a categoria. 
Interior Palio
Mescla de texturas agrada. Qualidade dos plásticos na média do segmento e isolamento acústico ruim.
5) POSIÇÃO DE DIRIGIR E CONFORTO:
Assim como no antigo, a posição de dirigir está vertical demais para meu gosto. Apesar disso, tem suas qualidades, como boa visibilidade, especialmente no trânsito urbano. O volante poderia ter ajuste de distância também e o de altura tem pouca amplitude. Eu, com altura de 1,78m e peso por volta dos 100kg fiquei um pouquinho apertado no banco e minha perna direita "pega" no console central. Mas aí o problema sou eu, não o carro. Em espaço para passageiros melhorou muito em relação ao anterior (que não era tão ruim), com aumento de 5cm na distância entre-eixos. Porta-malas está na média do segmento em litros. Porém, sua disposição mais verticalizada pode atrapalhar um pouco a acomodação de alguns tipos de malas. Menção honrosa aos retrovisores externos, grandes, com esfericidade que permite excelente campo de visão e que por isso quase não precisam ser ajustados quando pessoas diferentes dirigem. 
Banco traseiro Palio
Não se engane: nesta foto de divulgação os bancos dianteiros estão bem para frente. Porém, espaço é suficiente para dois adultos e uma criança. Dá para encarar uma viagem longa sem reclamações. 
6) MOTOR E CÂMBIO:
Falo sem medo de errar: este é um dos melhores motores 1,6 litro 16v que dirigi. A distribuição de potência é excelente. Em qualquer regime de giros a resposta é imediata, o giro sobe com vigor e a "voz" é bem italiana. Toda esta disposição me lembrou muito o motor 1,6 litro 16v do Mini Cooper, que tive a oportunidade de dirigir por alguns quilômetros em São Paulo durante à noite. Coincidência ou não, o motor do Palio sai da fábrica FIAT Powertrain Technologies, comprada da Tritec Motores em 2.008, que até a data fornecia motores para a BMW equipar o Mini, entre outros.

Já o câmbio, acredito que a FIAT deveria rever o escalonamento. As marchas são muito curtas, especialmente considerando a leveza do carro e a força do motor. Parece que o tempo todo o carro está nervoso, pronto para atacar. É difícil ter um momento mais tranquilo, de giro mais baixo e de resposta progressiva. Claro que se eu convivesse diariamente com o carro me habituaria. Como exemplo, o Mini que dirigi era automático de 6 marchas, com uma 6ª bem longa que dispensa o Kick-down para retomar com progressividade. O Palio poderia ter um escalonamento próximo do VW UP! TSI, que possui uma 5ª marcha que gira a baixas e tranquilas 2.900 RPM a 120km/h. Os engates "esponjosos", de curso longo e com precisão apenas aceitável também não refletem o excelente motor.

Motor Palio
A estrela do show: E.torQ 1.6 16v. Com força em qualquer regime, pede um câmbio mais longo para o Palio.
CONCLUSÃO:
No geral, apesar de algumas coisas estarem fora de minhas preferências, e parecer um tanto quanto "anestesiado" para doidos que nem eu, o Palio agradou. Sua dirigibilidade melhorou muito em relação ao antigo. Este, aliás, chegou a ser equipado com o 1,6 litro 16v E.torq. Fico imaginando esta geração anterior, mais leve, com este motor. Deve ser bem interessante. Reafirmo, só não é perfeito para loucos por dirigir como eu, que sentiriam um pouco de falta de uma maior interação motorista/carro. Para mim, levando em conta os carros que tenho convivido ultimamente, o carro compacto ideal (mesmo sendo o Punto e não o Palio concorrente de Fiesta e 208) teria o volante, suspensão, espaço, painel de instrumentos, isolamento acústico e os bancos do Peugeot 208; aparência, porta-malas, câmbio, relação de direção, freios, economia de combustível e equipamentos do Fiesta; e motor do Palio - SEM DÚVIDA NENHUMA. 

*Não tenho fotos do exemplar testado. Fotos de divulgação para ilustrar. 









Share on Google Plus

Autor: Rodrigo Costa

Do ponto A ao ponto B, pensando na vida, no volante e tudo mais.

0 comentários:

Postar um comentário

Não concorda, nem discorda e muito pelo contrário? Comente aí!