Depois de 15 anos, um novo RR Phantom. O que podemos aprender com isso?

Phantom 2018
Protótipo da nova geração do Phantom
A primeira vez que vi alguma coisa sobre o Roll-Royce Phantom atual foi pelos idos de 2001 na revista 4Rodas de outubro daquele ano. Na sessão "Segredos" estava publicada uma foto de um protótipo disfarçado, onde se falava sobre os predicados que o modelo teria quando lançado em 2003. 
Phantom 2001
Revista 4Rodas de outubro de 2001
15 anos depois, a Rolls-Royce coloca seus protótipos na rua e até lança uma "foto teaser", em que um de seus funcionários trabalha no monobloco (de alumínio) de uma unidade da próxima geração. Pela foto, é nítido que a marca manteve a tradicional linha do teto e a janela na coluna "C", indispensável em um modelo deste porte e com bancos traseiros reclináveis. Não foram revelados dados técnicos, mas duas possibilidades são as mais esperadas: uma versão ainda mais forte do atual do V12 de 6,75 litros, ou uma variante do V12 6,6 litros utilizado do Dawn.
Phantom 2018
Estrutura de alumínio, com a inconfundível janela na coluna "C"
Interessante como grandes automóveis duram tanto tempo. A vida média de uma geração de carro é hoje cerca de 7 anos, com uma reestilização geralmente na metade deste período. Mesmo que isto esteja mudando um pouco, com a utilização de plataformas modulares, onde uma nova geração está se tornando um aperfeiçoamento da anterior, dificilmente um mesmo automóvel fica mais de 10 anos em linha "na mesma" (com exceções óbvias que vemos em nosso mercado e veículos utilitários, como pickups do porte da Hilux).

Phantom 2018

Produtos como o Phantom, o Veyron, o DB9 são muito caros de projetar e possuem produção limitadíssima, o que faz com que leve tempo até seus projetos se pagarem. No caso de alguns, o projeto nem se paga, e o carro é usado como de "imagem e valores da marca", algo, de certo modo, intangível e que realmente vale a pena pagar o prejuízo. Sobre o Phantom especificamente, é curioso como um dos melhores automóveis já concebidos (e que com certeza ainda é) pode envelhecer. Tenho certeza de que se a Rolls-Royce apenas fizesse uma atualização em sua tecnologia embarcada, a maioria de seu público se manteria fiel.

Mas não é tão simples assim. Novos materiais surgem, podendo deixar o automóvel mais leve e com desempenho superior, mais eficiente e mais seguro. Só por isso, um novo projeto, do zero, já se faz necessário. A concorrência também se mexe. Imagine que absurdo um proprietário de um simples Mercedes S600 ter mais tecnologia em seu carro do que o proprietário de um Rolls-Royce! E, ainda mais importe, nada é suficientemente bom que não possa ser aperfeiçoado. Vide o novo Porsche Panamera, recém lançado, que parece apenas um aperfeiçoamento do já fantástico e ainda competitivo modelo anterior, mas ficou com design mais atraente (na minha opinião, finalmente ficou atraente), mais espaçoso, mais leve, mais rápido e com tecnologia embarcada atualizada.
Panamera 2010
Panamera 2010
Panamera 2017
Panamera 2017
A história mostra que melhorias são exponenciais ao longo do tempo. Uma nova tecnologia pode influenciar outras. O próprio motor a combustão interna é a prova disso: chegar mais rápido em um lugar, significou ter mais tempo para aprender coisas novas e difundir idéias a mais pessoas que, combinando com suas próprias idéias, criaram coisas novas. Depois da invenção da internet, pesquisas, teorias, estudos etc não ficam mais enclausurados em bibliotecas. Um estudante de engenharia da computação de Tókio pode ler um estudo sobre novos condutores realizado por um cientista em Londres e perceber que era o que estava faltando para colocar em prática seu novo tipo de processador, por exemplo.

A demora para a chegada do novo Rolls-Royce Phantom era de se esperar por questões mercadológicas, de custos de projeto, desenvolvimento e produção semi-artesanal limitada. E, obviamente, viria eventualmente uma nova geração. Mas é interessante notar como a marca teve a pertinência de esperar o momento certo para isso, em que tecnologias como direção autônoma já são uma realidade (particularmente não gosto, mas ninguém é obrigado a gostar de dirigir), segurança passiva e ativa estão em um patamar de excelência, e a aplicação de motorização híbrida saiu do pieguismo ambientalista-melancia e está tornando os carros mais fortes, eficientes e ainda prazerosos de dirigir. A Rolls-Royce tem realmente tudo na mão para criar mais um grande carro que novamente vai poder durar 15 anos.



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Autor: Rodrigo Costa

Do ponto A ao ponto B, pensando na vida, no volante e tudo mais.

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