4 dias de Fiesta.



No mês de dezembro juntamos a família e fomos até o Rio Grande do Sul. Infelizmente, a viagem foi de avião até Porto Alegre. É... eu odeio aeroportos. Mas não posso ser egoísta a ponto de querer dirigir mais de 1.000 km enquanto outras 4 pessoas ficam no carro entediadas. Assim, chegando na capital gaúcha, alugamos um carro. As opções eram Voyage 1.6, Sandero 1.6 ou Fiesta Sedan 1.6. Confesso que minha ordem de preferência era Sandero (pelo espaço), Fiesta (pela dirigibilidade) e Voyage (pelo conjunto). Porém, o único disponível na categoria era o Fiesta Sedan. Veio razoavelmente equipado, com vidros elétricos nas portas dianteiras, ar-condicionado, direção hidráulica, computador de bordo, faróis de neblina, banco do motorista com regulagem de altura e travas elétricas com comando remoto.

Minhas primeiras impressões sobre o interior foram das melhores. O acabamento merece uma nota 6, mas todos os outros concorrentes são nota 7. Logo, o que me chamou a atenção é a excelente arquitetura interna. A posição de dirigir é perfeita. O volante não tinha regulagens, mas nem precisava. A alavanca de câmbio é longa, porém próxima do volante, porém os engates são mais curtos que a o comprimento da alavanca sugere. O banco traseiro segue a mesma lógica do antigo Focus: posição mais elevada que os da frente, permitindo que os joelhos dos passageiros fiquem mais baixos que o cóccix. Esta posição permite maior conforto, pois não é necessário esticar tanto as pernas para viajar em uma posição agradável, sem falar que aquela sensação de afundar nos bancos é nula (GM, é assim que se faz bancos traseiros!). Com isso, a relação dimensões externas/espaço interno se mostrou excelente. Eu queria Sandero pelo espaço interno, mas não me decepcionei, couberam 3 pessoas de estatura mediada com folga atrás. E com meu 1,8m e alguns kg passados dos 100, me acomodei com muita facilidade nos largos bancos da frente. Os apoios laterais são de longe melhores que de muitos carros maiores. Isso sem falar nas dezenas de porta objetos, que realmente possuem utilidade. Esqueça aquela loucura das minivans que colocam espaços onde ninguém vai usar. No Fiesta eles estão em lugares estratégicos e com excelente tamanho.

Na saída, o carro nem sentiu as 5 pessoas mais bagagens (excelentemente acomodadas no porta-malas com dobradiças pantográficas - que a indústria está abandonando), lembrando que Porto Alegre fica no nível do mar, logo a potência líquida é entregue 100%. Mas não era em Porto Alegre que iríamos ficar. Nosso alvo era a região serrana de Gramado, Canela, Nova Petrópolis e adjacências. Nossa hospedagem foi em Caxias do Sul (hotéis mais baratos) e todos os dias sairíamos para dar uma volta nas cidades em questão, visitando suas atrações turísticas. Na parte plana da BR 116 o carro se comportou muito bem. Seu câmbio de relações longas permitiu muito silêncio a bordo, mesmo com o medíocre isolamento acústico. Alô Ford, da pra ouvir o motor funcionando pela coluna de direção. Como estávamos com o carro cheio, vez ou outra usava a quarta, mesmo em cruzeiro. Aí veio a subida de serra...

E aí que saber trabalhar o câmbio faz a diferença. A medida que a altitude aumenta a potência do carro diminui a ordem de 1% a cada 100m de altitude. Não que a região serrana do Rio Grande do Sul seja muito alta. Por exemplo, Gramado está a apenas 830 m de altitude, pouco mais que São Paulo. Mas para quem saiu do nível do mar e pouco depois estava no alto com o carro cheio, da para sentir. Na subida, quase não utilizei a quarta e nunca usei a quinta (que me pareceu ser de efeito over-drive, mas não é, já que a velocidade máxima é obtida em quinta mesmo). Houve uma situação extrema de ultrapassagem de uma caminhão lentíssimo que precisei engatar a PRIMEIRA. Mas não achei nada errado com isso, pois o escalonamento do câmbio é correto. O errado são os câmbio mega curtos da maioria dos carros nacionais, feitos para quem tem preguiça de mudar de marcha. De todos os carros desta categoria que dirigi, a suspensão do Fiesta é de longe a melhor. É firme sem ser dura, é confortável sem ser molenga. É uma verdadeira referência. Dava para atacar as curvas com vigor e passar pela buraqueira com tranquilidade.

Algumas coisas me chamaram atenção, como o direção dura, mesmo tendo assistência hidráulica. No primeiro abastecimento calibrei os pneus com as libras corretas para carga total, o que fez o volante melhorar um pouco, mas mesmo assim não ficou tão macio. A vantagem é que é bem direto. Como comparação, a do Corsa é bem leve, mas poderia ser mais direto. Outra curiosidade é o excelente computador de bordo. O visor fica no nicho do velocímetro e traz informações como consumo médio, consumo instantâneo, velocidade média e outras. Com ele, utilizando a informação de consumo instantâneo, pude dirigir da maneira mais econômica possível em cada situação, utilizando cut-off nas descidas, retomando nas marchas corretas etc. Também nunca havia dirigido por tanto tempo um carro com faróis de neblina. Com neblina eles são realmente úteis, em outras situações devem ficar desligados. Ao final da viagem completei o tanque com álcool, sendo que havia ainda exatamente meio tanque de gasolina. Resultado: 11,55 km/l em um carro carregado com motor 1.6, ar ligado na maioria do tempo e subindo serras. Achei excelente!

Se eu compraria um Fiesta? Sim, mas nas versão hatch. A visibilidade traseira do sedan é bem precária, culpa do porta-malas alto. Em alguns aspectos, me lembrou o Corcel, um carro compacto de preço razoável, mas bem acertado e honesto, com ótimo espaço e bom desempenho. O que me entristece é que o "New Fiesta" nem de longe é honesto como o que passei 4 ótimos dias. Ainda não o dirigi, mas pelo pouco que conheci em concessionárias, percebi que o espaço traseiro é claustrofóbico, a visibilidade traseira é ainda pior, o acabamento continua nota 6 e o porta-malas não possui as dobradiças pantográficas. Ah, o Focus Sedan de terceira geração também não vai ter. É, parece que a Ford está passando por um processo de involução. Espero ser só uma fase.
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Autor: Rodrigo Costa

Do ponto A ao ponto B, pensando na vida, no volante e tudo mais.

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